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UM MANIFESTO À MANEIRA DE UM DESABAFO
por Antonio Miranda
Há um certo sentido demodée em toda vanguarda, que lhe serve de sustentáculo. Na demolição dos radicais restam escombros, monturos a serem reprocessados para deixar o espaço livre à criação e à experimentação.
Não há experimentação no vácuo — é circunscrito pela matéria que o aprisiona, fundamenta-se numa matéria reciclada ainda que por antítese.
Trabalhar com palavras que têm sentidos que são públicos, formas que remontam a significados atribuídos, numa heurística ou ontologia de textos e pretextos, é um desafio que não parte da ignorância mas da substância em que se fundamenta o artista.
A forma como conteúdo, na experimentação; a palavra como construção, na busca dos sentidos.
Toda poesia é impura, contaminada e instaura-se no caso do qual não pretende se libertar.
Wally Salomão, no nosso primeiro contato, dando-me um “abraço inaugural”, escreveu que eu sou um “caótico não-concreto”. Isto é: um oxímoro! Rimos bastante do disparate.
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